Biorreator aumenta produtividade na clonagem de plantas A divisão de pesquisa da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) para Recursos Genéticos e Biotecnologia desenvolveu um equipamento capaz de clonar plantas com mais higiene e economia. É o biorreator de imersão temporária. O equipamento é composto por frascos de vidro interligados por tubos de borracha. Em um frasco fica o material a ser multiplicado, e no outro fica a solução nutritiva que "alimenta" a planta. Com esse equipamento, as biofábricas serão capazes de aumentar sua produtividade e economizar em mão-de-obra. Quem explica o processo é o agrônomo João Batista Teixeira, responsável pelo projeto. (30/05/2006) |
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ENTREVISTA - Ficha Técnica: João Batista Teixeira - Formação: Graduação em agronomia pela Universidade Federal de Viçosa, mestrado em fisiologia pela Universidade Federal de Viçosa e doutorado em biologia vegetal pela Universidade Estadual de Nova Jersey (EUA). Cargo atual: Pesquisador da Embrapa de Recursos Genéticos e Biotecnologia. |
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Biotec Pra Galera - O que é o biorreator?
João Batista Teixeira - O biorreator é um equipamento complementar num laboratório de produção de mudas. O material a ser multiplicado é preparado de forma convencional, no chamado cultivo in vitro, e depois é transferido para o biorreator, para a fase de multiplicação, alongamento e enraizamento.
Biotec Pra Galera - Que parte da planta é usada para a multiplicação?
João Batista Teixeira - O mais comum é usar uma gema da planta.
Biotec Pra Galera - Como funciona o biorreator?
João Batista Teixeira - Ele tem frascos na parte da frente e atrás. Os da frente são ligados um a um aos de trás. Na frente está o material a ser multiplicado. No fundo, fica o meio de cultura, que é uma solução com macronutrientes para a planta. É um sopão nutritivo. De tempos em tempos, o meio de cultura passa para o frasco da frente e depois retorna para o frasco de trás. O material não fica em contato direto com o meio de cultura, por isso é que ele é chamado biorreator de imersão temporária. Há vários tipos de biorreatores, mas o de imersão temporária é o que tem dado melhores resultados.
Biotec Pra Galera - Quantas mudas são produzidas com o biorreator?
João Batista Teixeira - Cada haste usada para a multiplicação gera em torno de 500 mudas. Uma planta de abacaxi no campo dá de 5 a 7 mudas. O biorreator aumenta muito a produtividade da planta.
Biotec Pra Galera - Qual outra vantagem do biorreator?
João Batista Teixeira - Com ele você utiliza muito menos mão-de-obra, porque você não manipula o material como no processo tradicional, que utiliza milhares de frascos e muitas pessoas trabalhando neles. Com o biorreator há uma economia muito maior nesse sentido. No custo final da muda, a participação da mão-de-obra é da ordem de 70%. Com o biorreator, consegue-se abaixar muito a participação da mão-de-obra no custo final, chegando até a 30% do gasto total. Assim, a muda sai mais barata.
Biotec Pra Galera - O biorreator faz todo o processo de clonagem sozinho?
João Batista Teixeira - Não, ele não é um equipamento isolado e independente, não dá para jogar uma muda de um lado e saírem várias prontas do outro lado. Ele é complementar aos outros equipamentos que existem no laboratório de produção. Ele só substitui a fase final do processo, que é a de multiplicação e alongamento, e que demanda muita mão-de-obra. Todo o resto é feito no modo tradicional, como a inoculação do material, a sua esterilização e o estabelecimento do meio de cultura.
Biotec Pra Galera - Quais plantas podem ser clonadas com o uso do biorreator?
João Batista Teixeira - Abacaxi, banana, morango, eucalipto, bromélias, plantas ornamentais, orquídeas, batata, batata-doce, café, cana-de-açúcar, plantas medicinais... É um bom número de plantas que podem se valer do biorreator.