Biotecnologia ajuda a combater doença do feijão
Item essencial no cardápio brasileiro, o feijão tem como um de seus principais inimigos o mosaico dourado - um vírus que afeta seriamente a produção do grão no país. A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) está usando a biotecnologia para combater a praga, como conta o pesquisador Francisco Aragão nesta conversa com o Biotec pra Galera.





ENTREVISTA - Ficha Técnica: Francisco J. L. Aragão - Engenheiro Agrônomo - Especialização: doutorado em Biologia Celular e Molecular.
Cargo atual: Pesquisador III da Embrapa

Biotec pra Galera - Quais as principais pesquisas que a Embrapa está desenvolvendo em relação aos alimentos geneticamente modificados?

Francisco Aragão - A Embrapa está hoje modificando cerca de 13 espécies de planta e iniciando o trabalho de modificação genética de bovinos. As pesquisas se concentram em prospecção, caracterização e expressão de genes em organismos-modelo (plantas sem interesse econômico e que são facilmente manipuláveis) e, depois, em plantas de interesse socioeconômico. Estes genes visam a obter nas plantas características importantes para o manejo agrícola e para o mercado, como melhoramento nutricional, resistências a pragas, tolerância à seca, ao frio e ao calor.



Biotec pra Galera - Em relação ao feijão, qual a principal linha de pesquisa nessa área?

Francisco Aragão - Com o feijão o nosso principal trabalho é obter plantas resistentes ao vírus do mosaico dourado e também uma maior resistência à seca.

Biotec pra Galera - O que é o mosaico dourado? Qual a modificação feita no feijão para resistir a essa praga?

Francisco Aragão - O mosaico dourado é uma doença causada por um vírus que faz com que a planta produza um número muito pequeno de grãos, fique anã, com folhas, vagens e sementes deformadas. Como não tem sido encontrada alta resistência a essa doença em plantas que possam cruzar com o feijão, lançamos mão da moderna biotecnologia para obter plantas resistentes. Foi introduzido no feijão um gene do próprio vírus que gerou nas plantas uma resistência maior, devido à presença de uma proteína chamada REP.

Biotec pra Galera - Que tipos de testes de segurança vêm sendo feitos neste feijão geneticamente modificado?

Francisco Aragão - O feijão está sendo estudado dentro da Rede de Biossegurança da Embrapa e são realizados estudos para avaliar sua segurança para o consumidor e meio ambiente.

Biotec pra Galera - Quais os resultados obtidos até agora?

Francisco Aragão - Foi obtida uma planta que mostrou alta resistência ao vírus quando cultivada em estufas e essas plantas estão sendo avaliadas no campo. Novas plantas continuam sendo geradas com uma nova estratégia que visa a buscar resistência não só ao mosaico dourado, mas também a outros vírus do mesmo grupo.

Biotec pra Galera - Este feijão já está sendo cultivado em larga escala?

Francisco Aragão - Não. Apenas em pequenos campos experimentais.

Biotec pra Galera - Há alguma previsão de quando o feijão geneticamente modificado poderá ser comercializado?

Francisco Aragão - Se os resultados forem bons ao longo dos estudos no campo e das avaliações de biossegurança, temos a expectativa de comercialização desses feijões em um prazo de 5 anos.

Biotec pra Galera - Além de beneficiar o agricultor, que vantagens o feijão geneticamente modificado apresenta para o consumidor?

Francisco Aragão - Esses vírus causadores de doenças são transmitidos por insetos (neste caso, a mosca branca) e devem ser combatidos com inseticidas. Plantas resistentes a essa doença necessitam de menos inseticida. Além disso, há um aumento de cerca de 30% de produção do feijão, com maior qualidade para o consumidor.

*Jairo Bouer, 38, é médico psiquiatra e trabalha com saúde e comunicação em TV, rádio, e jornal. Se você tem dúvidas sobre biotecnologia, clique aqui.

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