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Home > Bate-Papo > Claudia Batista

Bate-Papo

 

ENTREVISTA - Ficha Técnica: Claudia Batista - Formação: Doutora em Ciências, área de Neurobiologia.
Cargo Atual: Professora-Adjunta do Programa de Bioengenharia do ICB da UFRJ.

 

CIB - Qual deve ser o procedimento dos pesquisadores que têm interesse em trabalhar com células-tronco? É preciso obter autorizações específicas para esse tipo de pesquisa? Qualquer um pode fazer pesquisa com células-tronco embrionárias ou há pré-requisitos?

Claudia Batista - Os projetos envolvendo células-tronco embrionárias passam pelo Comitê Nacional de Ética em Pesquisa (Conep). Cada instituição deverá ter também seu comitê de ética, responsável por aprovar ou não os projetos de pesquisa apresentados pelos pesquisadores.

CIB - Quais são as limitações legais para pesquisas com células-tronco embrionárias?

Claudia - Na prática, nenhuma. Pode-se trabalhar com embriões congelados há pelo menos três anos (até a data da publicação da lei). A Anvisa ainda está revisando uma norma de regulamentação dos embriões congelados e a manipulação destes nas clínicas de fertilização.

CIB - De onde virão os embriões a serem usados em pesquisas?

Claudia - Os embriões usados na pesquisa vêm das clínicas de fertilização in vitro (assistida), desde que haja a autorização dos pais para tal finalidade.

CIB - Como essas células-tronco são cultivadas depois de serem extraídas dos embriões?

Claudia - Nos laboratórios de pesquisa, para derivar linhagens de células embrionárias, são necessárias várias tentativas, com vários embriões, no sentido de realizar microscopicamente a retirada da massa celular interna do embrião (no estágio de blastocisto no qual se encontra), dissociar (separar) essas células e plaqueá-las (espalhá-las sobre o meio de cultura), para que se multipliquem em estufa de 37 graus. A maioria das células não se adapta in vitro e morre. Outras, porém, podem se multiplicar e estabelecer uma linhagem cultivável em laboratório.

CIB - O simples contato de uma célula-tronco com um tecido diferenciado já é capaz de induzir a diferenciação da célula ou é necessário algum outro tipo de estímulo molecular?

Claudia - A pesquisa é justamente feita para saber que tipo de técnica e quais os tipos de sinais necessários para induzir a diferenciação. Existem vários protocolos neste sentido, mas ainda nenhum seguro para a terapia em humanos. O simples contato de uma célula-tronco com um tecido diferenciado não é capaz de induzir a diferenciação das células.

CIB - Qual é a expectativa do uso de células-tronco embrionárias na recuperação de neurônios lesionados?

Claudia - Por enquanto, é possível obter alguns neurônios “in vitro” e há alguns testes sub-clínicos (em animais), mas, para a terapia não sabemos se será possível, um dia, usá-las em humanos.

CIB - Será possível criar novos neurônios a partir de células-tronco, ou apenas fazer reparos naqueles que sofreram lesões? Que impacto isso pode ter na vida e saúde das pessoas?

Claudia - Podem-se criar neurônios humanos “in vitro” a partir de células-tronco. Fazer reparos nos tecidos é ainda um grande desafio para a Medicina Regenerativa, devido aos inúmeros problemas técnicos que essas células apresentam. Hoje, ainda não é possível o seu uso “in vivo” e não sabemos se e quando será possível usá-las para reparos (terapias).

 

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