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Frutas tropicais também ganham com biotecnologia
O Brasil é um dos países que produz a maior variedade de frutas no mundo. E você sabia que até as plantações das nossas frutas mais típicas, como coco, caju e acerola, estão se valendo da biotecnologia para melhorar a produção?

Um centro muito importante de pesquisa biotecnológica com frutas tropicais fica em Fortaleza. É o núcleo de Agroindústria Tropical da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), que tem entre seus projetos a Produção Integrada de Melão. O Biotec Pra Galera conversou com a pesquisadora Waldelice Paiva, que participa do programa cearense, para entender melhor como as frutas podem ser melhoradas com a biotecnologia.

 

ENTREVISTA - Ficha Técnica: Waldelice Paiva - Formação: Doutora em Engenharia Agrônoma - Melhorista de plantas.
Cargos atuais: Pesquisadora aposentada do INPA/MCT, atualmente atuando na Embrapa Agroindústria Tropical/UFC, em Fortaleza-CE

 

Biotec pra Galera - Quais as principais pesquisas que o centro de Agroindústria Tropical tem feito com o melão?

Waldelice Paiva - As pesquisas com melão têm sido direcionadas principalmente para o melhoramento genético, apesar de existirem incursões na área de produção (nutrição e produção de mudas) e conservação pós-colheita.

Biotec pra Galera - Especificamente na sua pesquisa, que tipo de mudança genética se pretende fazer na fruta?

Waldelice Paiva - O programa de melhoramento genético visa em primeiro lugar a aumentar a adaptação do melão ao semi-árido Nordestino. Quase todos os genótipos utilizados vêm de programas de melhoramento feitos em outros países com clima muito diferente do nosso. Daí o melão se torna mais precoce, mas tem sua qualidade piorada e fica mais suscetível a doenças e pragas. Todo o programa prevê a produção de híbridos mais adaptados e com maior qualidade. A mudança mais visível na fruta é na qualidade da polpa (doçura, valor nutricional e conservação pós-colheita). Não pretendemos mudar o fruto do melão, apenas oferecer tipos diferenciados que atendam ao mercado.

Biotec pra Galera - Quais as vantagens do melão híbrido?

Waldelice Paiva - O melão híbrido apresenta uniformidade. Em grande escala essa é a maior vantagem, porque todos os frutos de uma determinada área são iguais e, se forem bem conduzidos, podem ser todos comercializados, sobrando poucos refugos. Outra vantagem é a heterose, a superioridade do genótipo em relação aos frutos de polinização aberta. Essa superioridade pode ser para a produção, doçura, etc. Além disso, é possível combinar em um único híbrido resistência a mais de uma doença.

Biotec pra Galera - A biotecnologia pode ser usada para a produção de frutas tropicais mais resistentes a pragas e doenças?

Waldelice Paiva - Sim. No melhoramento tradicional temos programas para aumentar a resistência a viroses, mosca branca, bacterioses e doenças fungicas. A inserção de genes, outra vertente do melhoramento genético, está sendo pesquisada (mas não por nós) e tem os mesmos objetivos.

Biotec pra Galera - É possível alterar o sabor ou enriquecer o melão com vitaminas, por exemplo, através da biotecnologia?

Waldelice Paiva - Sim. Mas estamos fazendo isso pelo melhoramento convencional (temos um programa para aumentar o teor de vitamina C e betacaroteno dos frutos).

Biotec pra Galera - Que outras frutas estão sendo pesquisadas no núcleo?

Waldelice Paiva - A Embrapa Agroindústria Tropical tem pesquisas de melhoramento genético do caju, acerola e pimenta tabasco. Coco, sapoti, uva e outras frutas nativas do semiárido são contempladas com outras pesquisas.

Biotec pra Galera - Como a biotecnologia pode ajudar a exportação de frutas tropicais?

Waldelice Paiva - Em primeiro lugar deve ser entendido que as frutas tropicais ainda são pouco estudadas do ponto de vista da genética. Ainda vai demorar um pouco para que esses produtos estejam disponíveis. Espera-se que sejam obtidos produtos mais resistentes às doenças, para atender o mínimo de resíduos exigidos pelos países exportadores. Em segundo lugar, espera-se aumentar a vida de prateleira para atender mercados distantes. Em terceiro lugar, melhorar a qualidade geral dos frutos (apresentação, aroma, sabor e valor nutricional).

*Jairo Bouer, 38, é médico psiquiatra e trabalha com saúde e comunicação em TV, rádio, e jornal. Se você tem dúvidas sobre biotecnologia, clique aqui.

 

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