Estudos genéticos de árvores

O campo de trabalho do engenheiro agrônomo é bastante vasto. Por exemplo, dá para estudar biotecnologia florestal e fazer pesquisas importantes para a sociedade com árvores geneticamente modificadas. Esse foi o caminho que a agrônoma Luciana Di Ciero escolheu para a sua carreira. Hoje ela trabalha no Departamento de Ciências Florestais do Laboratório de Recursos Genéticos e Biotecnologia Florestal da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), em Piracicaba. Nesta entrevista com o Biotec pra Galera, saiba mais da sua profissão e dos estudos em desenvolvimento no interior de São Paulo:

Biotec pra Galera - Qual a sua formação e, no geral, qual o campo de trabalho para os profissionais da carreira que você escolheu?


Luciana Di Ciero - Eu sou engenheira agrônoma. Ou seja, eu fiz faculdade de agronomia, também chamada de engenharia agronômica. O campo de trabalho de um profissional de agronomia é imenso. Todas as atividades ligadas à produção de alimentos, matérias-primas de origem animal e vegetal, produção de material vegetal para fins de energia, desenvolvimento de equipamentos para uso na agricultura e pecuária e desenvolvimento de produtos químicos para serem usados na agricultura estão dentro do campo de atuação. Cada item que eu citei podemos desdobrar em diversas atividades afins, como, por exemplo, pesquisa científica para melhorar a qualidade dos produtos e serviços ligados a elas, atividades nas áreas rurais, de administração de empresas, economia e planejamento, meteorologia e meio ambiente, etc.

Biotec pra Galera - Quais segmentos da sua profissão estão ligados à biotecnologia e como você se envolveu com o tema?


Luciana - A biotecnologia entra em diversos segmentos da minha profissão. Primeiramente, utilizamos a biotecnologia para pesquisas científicas e programas de melhoramento vegetal e animal. O desenvolvimento e produção de plantas e animais transgênicos, por exemplo, são atividades que podem ser exercidas por um engenheiro agrônomo. A área de tecnologia de alimentos também é estudada dentro da agronomia e aplica-se biotecnologia para a produção de componentes, a exemplo de enzimas e aromas para adicionar aos alimentos processados. Quase todos os alimentos industrializados, atualmente, utilizam algum produto biotecnológico.

Biotec pra Galera - Do que trata exatamente o seu trabalho com árvores geneticamente modificadas? Quais os objetivos desses estudos e quais benefícios podem trazer à sociedade?


Luciana - Meu trabalho atualmente é em biossegurança florestal, ou seja, eu faço pesquisa e avaliação de risco de impactos ambientais de árvores geneticamente modificadas. Tais análises são extremamente necessárias para poder se colocar no campo um produto geneticamente modificado com segurança. Eu avalio, por exemplo, se determinada espécie de árvore que foi modificada geneticamente pode causar algum dano para a biodiversidade no local onde ela será plantada. E, caso ela tenha alguma possibilidade de causar algum dano, avaliar se esse dano pode ser evitado ou minimizado de alguma forma. Com esses estudos e avaliações a sociedade pode usufruir os produtos da biotecnologia com mais segurança.

Biotec pra Galera - Quais as conclusões até o momento?


Luciana - Até o momento, no Brasil, nós não temos árvores geneticamente modificadas plantadas comercialmente. As análises de biossegurança são feitas caso a caso e referentes ao local onde ela será implantada. Atualmente, a tendência de uso da biotecnologia florestal é com eucalipto e pinus, duas espécies exóticas, ou seja, espécies que não são nativas no Brasil. Isso traz uma grande vantagem, que é de não haver espécies de nossa biodiversidade que possam cruzar naturalmente com elas. Neste caso, evita-se o fluxo gênico, ou a troca de genes que foram transferidos para o eucalipto ou o pinus para plantas nativas brasileiras.

Biotec pra Galera - Na sua avaliação, como a biotecnologia pode beneficiar o meio ambiente?


Luciana - A biotecnologia pode beneficiar o meio ambiente de diversas formas. Primeiramente, com o desenvolvimento de plantas resistentes ao ataque de insetos (pragas) e doenças. A aplicação de agrotóxicos é bem menor, quando não é zero. Além disso, as plantas tolerantes a herbicidas fazem com que o agricultor utilize um herbicida bem menos tóxico ao meio ambiente. As plantas tolerantes ao herbicida glifosato contribuem para o uso maior de uma técnica de plantio, que se chama plantio direto, muito benéfica para o meio ambiente.
Em segundo lugar, usando-se a biotecnologia para desenvolver plantas e animais que cresçam e produzam melhor em uma mesma unidade de área, evita-se que o produtor procure novas áreas, muitas vezes ainda virgens, para aumentar a sua produção. Esse fato contribui para a diminuição da proteção sobre áreas de florestas nativas, evitando-se o desmatamento.
Em terceiro lugar, a biotecnologia está contribuindo para o desenvolvimento de plantas e microorganismos que fazem a desintoxicação de solos contaminados por metais pesados e outros componentes que são venenosos. Através da biotecnologia, também, tem-se desenvolvido kits diagnósticos indicadores de poluição ambiental.

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