Por alimentos mais nutritivos
Muita gente ainda acha que os alimentos geneticamente melhorados têm como finalidade proteger as plantas contra ataque de pragas e agentes químicos. Pesquisas em biotecnologia apontam caminhos para muito além disso: a ciência também está preocupada em oferecer alimentos mais nutritivos. E aí está uma grande oportunidade para nutricionistas que planejam trabalhar com produtos GM. Para entender um pouco melhor o assunto, conversamos com a nutricionista Neuza Maria Brunoro Costa, co-autora do livro Biotecnologia e Nutrição - saiba como o DNA pode enriquecer os alimentos. Confira:
Biotec pra Galera - Muitos jovens, principalmente garotas, planejam desde cedo seguir carreira em nutrição. Quais as principais áreas - público ou privadas - que um nutricionista pode trabalhar? E como está esse mercado de trabalho hoje em dia?
Neuza - A nutrição tem sido um campo de trabalho muito atrativo e temos hoje mais de 200 cursos no Brasil. Classicamente, o profissional pode trabalhar em três áreas: nutrição clínica, nutrição social (Saúde Pública) ou em serviços de alimentação. Tem havido oportunidades de trabalho em academias de ginástica ou como personal diet, especialmente para orientações na alimentação de praticantes de atividade física. Uma outra demanda recente também está na área de marketing de produtos alimentares. O nutricionista vem trabalhando em hospitais, restaurantes industriais, consultórios e em programas de saúde pública.
Biotec pra Galera - No seu caso, por qual caminho seguiu a sua carreira? O que você faz na Universidade Federal de Viçosa?
Neuza - Depois que me graduei na UFV, trabalhei em serviços de alimentação por um ano e, depois, retornei para cursar o mestrado. A partir daí segui a carreira acadêmica, dando aula na Universidade de Ouro Preto e, após o doutorado na Inglaterra, passei a lecionar no Departamento de Nutrição e Saúde da UFV.
Biotec pra Galera - Por falar na UFV, quais os principais trabalhos científicos que vocês desenvolvem? Quais os resultados e os benefícios podem trazer para a sociedade?
Neuza - No Departamento de Nutrição, desenvolvemos uma série de trabalhos de extensão e pesquisa, muitos deles voltados às carências nutricionais, ao valor nutricional e funcional dos alimentos e à avaliação nutricional de grupos populacionais (crianças, gestantes, idosos, etc).
Biotec pra Galera - Em que momento a biotecnologia se integra com a nutrição? Ou seja, como a biotecnologia pode enriquecer os alimentos, do ponto de vista nutricional?
Neuza - Pela biotecnologia, é possível aumentar o valor nutricional e funcional dos alimentos, por exemplo, aumentando o teor de proteínas, minerais (ferro, zinco e selênio), modificar o conteúdo de lipídios (aumentando os lipídios benéficos e reduzindo os que podem aumentar o risco de doenças cardíacas). Também é possível aumentar o teor de vitaminas (vitamina E e betacaroteno) que, além de serem vitaminas importantes para a nutrição, são também antioxidantes, que protegem contra o efeito dos radicais livres.
Saiba mais sobre cursos e faculdades de biotecnologia
Leia a entrevista com o engenheiro da computação Alexandre Corrêa Barbosa
Leia a entrevista com o Advogado Gabriel di Blasi
Leia a entrevista com a engenheira agrônoma Luciana Di Ciero
Leia a entrevista com a advogada Patrícia Fukuma
Leia também a entrevista com a bióloga Eliane Romanato Santarém
Leia também a entrevista com o Médico Veterinário Vasco Azevedo
Leia também a entrevista com o biólogo Pedro de Oliva Neto
Leia também a entrevista com o engenheiro de alimentos Edson Watanabe
Leia também a entrevista com Jânio Morais Santurio, professor e pesquisador do departamento de microbiologia da Universidade Federal de Santa Maria
Leia também a entrevista com Julieta Ueta, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo (USP)