Legislação e biotecnologia

Não apenas no laboratório existe campo pra quem se interessa por trabalhar com a biotecnologia. É o que nos mostra a advogada Patrícia Fukuma, especialista em relações de consumo. Formada pela PUC-SP, Patrícia se interessou pela questão dos OGMs quando ainda trabalhava na Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação e, desde então, vem estudando a legislação de biossegurança.

Biotec pra Galera - Como surgiu seu interesse pela biotecnologia?

Patrícia Fukuma - Na verdade, meu interesse surgiu com a necessidade. Por conta do meu trabalho na Abia e da grande discussão que envolve os transgênicos, precisei estudar com mais profundidade a legislação que trata dos organismos geneticamente modificados.
Quanto mais me dediquei a esse estudo, mais gostei do tema e fui me especializando.

Biotec pra Galera - E há, de fato, mercado para os profissionais de Direito nesse campo?

Patrícia - Sem dúvida, a biotecnologia é o campo do futuro, não apenas no que diz respeito aos estudos científicos e às pesquisas. Pode-se dizer que ela passa por diversas áreas do conhecimento, o que abre espaço para muitos profissionais. E, se hoje ela já é uma realidade no Brasil, imagine daqui pra frente! O interessante é que há ainda poucos advogados no País dedicados ao conhecimento mais profundo da legislação dos transgênicos.

Biotec pra Galera - Quais são os temas mais atuais no que diz respeito ao trabalho do advogado e dessa ciência?

Patrícia - Na minha especialidade, por exemplo, existem diversos pontos referentes à rotulagem dos produtos e o direito do consumidor à informação. Mas há outros assuntos importantes e promissores, a exemplo da bioética, dos limites da biotecnologia em relação a plantas, animais e meio ambiente, além da legislação de medicamentos, entre outros. Acredito que, assim que a biotecnologia estiver mais próxima do dia-a-dia das pessoas, o mercado de trabalho vai se abrir ainda mais.

Biotec pra Galera - Qual a sua dica pra quem se interessa em seguir a carreira?

Patrícia - Em primeiro lugar, muita dedicação e estudo. Pra disputar espaço no mercado e conseguir uma posição de destaque, é preciso conhecer o assunto com bastante profundidade e se manter sempre atualizado com o que ocorre no Brasil e em outros países, cujas normas e leis aplicadas são diferentes. Além disso, estejam atentos às frentes de trabalho que devem ser abertas nos escritórios de advocacia. Creio que, com o fim da celeuma sobre os OGMs, o mercado tende a absorver cada vez mais profissionais especialistas em biotecnologia e biossegurança.

Biotec pra Galera - Quanto à formação, você recomenda algum tipo de curso para o jovem profissional que deseja se dedicar a essa área?

Patrícia - Os cursos específicos sobre biotecnologia ainda são poucos nas universidades, mas creio que aqueles que tratam da bioética e do biodireito conferem uma visão mais ampla do mundo dos OGMs.

Confira a lista de cursos recomendados pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB)

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