Biotecnologia também na Veterinária

Quem pensa que veterinário é só aquele que cuida de cães e gatos no consultório, está prestes a fazer uma grande descoberta! Esta profissão envolve muitas áreas de trabalho, e uma delas está relacionada com a biotecnologia. Para saber mais sobre isso, conversamos com o médico veterinário Vasco Azevedo. Ele é PhD em Genética Molecular de Microorganismos e desenvolve trabalhos de pesquisa na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Ele nos mostrou um outro lado da Medicina Veterinária: o desenvolvimento de vacinas e medicamentos para animais.

Biotec pra Galera - Qual é sua formação e há quanto tempo está nessa área?

Vasco Azevedo - Me formei em Medicina Veterinária na Universidade Federal da Bahia (UFBA), fiz mestrado e doutorado na França, no INRA (um instituto equivalente à brasileira Embrapa). Depois disso, fiz pós-doutorado na Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos. Nessa época, entre 1986 e 1988, comecei a atuar na área de vacinas e medicamentos para uso veterinário.

Biotec - Qual é seu trabalho na UFMG?

Vasco - Trabalho principalmente com o desenvolvimento de novas vacinas, utilizando instrumentos biotecnológicos. Também trabalhamos em outras áreas como novos usos biotecnólogicos e terapêuticos das bactérias do leite. Como, por exemplo, bactérias que estejam implicados na produção de iogurtes, queijos e etc.

Biotec - Então a área de veterinária vai muito além dos consultórios?

Vasco - Ao contrário do que muitos pensam, a carreira de veterinária é muito ampla e tem inúmeras áreas de atuação. Uma delas é com empresas de vacinas e medicamentos, área crescente com o avanço da biotecnologia. As conhecidas clínicas veterinárias já estão congestionadas, há muitos profissionais nessa área. A veterinária pode oferecer muito mais que isso.

Biotec - Foram desenvolvidos muitos produtos nesta área? Quais as maiores conquistas?

Vasco - Já há vacinas veterinárias feitas com técnicas que utilizam a biologia molecular, ou seja, a engenharia genética. Ao invés de utilizar apenas vírus ou bactérias mortas ou enfraquecidas como base para a vacina, como nas tradicionais, utiliza-se genes (o seu DNA) ou proteínas, dependendo do tipo da vacina. A idéia é conseguir vacinas mais eficientes e com efeito prolongado para erradicar doenças e acabar com a necessidade de reaplicá-la.

Biotec - E como está o mercado de trabalho nestas outras áreas?

Vasco - O mercado de trabalho nessa área é emergente, há campo de trabalho em universidades (públicas e particulares) e institutos de pesquisa (como a Embrapa, FioCruz e Butantã), além de empresas privadas. Mas ainda são poucas as empresas que trabalham com o desenvolvimento dos produtos, as multinacionais fazem este trabalho fora do Brasil. Uma das maiores empresas que atua nessa área de veterinária é a Vallée. Agora há uma tendência de atualizar as vacinas e é necessário incentivo para que elas comecem a ser produzidas aqui mesmo.

Biotec - Existem muitos profissionais trabalhando nesta área da veterinária?

Vasco - Ainda é preciso ampliar a formação de profissionais na área de biotecnologia. Principalmente porque na pecuária a biotecnologia ainda não teve o mesmo impacto que na agricultura. Existem muitas possibilidades como, por exemplo, de uma integração com a bioinformática que podem indicar caminhos para vacinas mais efetivas. Mas ainda falta a ponte entre a pesquisa e a prática, pois hoje em dia a aplicação é muito pequena.

Biotec - O que você acha que deve ser feito para melhorar esta situação?

Vasco - Há a necessidade de investir em bolsas de estudos, não é mais necessário ir para o exterior para capacitar profissionais e ampliar a tecnologia utilizada aqui. Existe um programa que o governo que implantar que é o "Mestrado Profissional", que permitirá que profissionais das empresas privadas estudem e trabalhem nas nossas universidades e aprendam novas tecnologias para poder aplicá-las nas suas empresas. Deveria haver mais programas como este.

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