Espaço de notícias. Informações atuais sobre pesquisas e trabalhos científicos.

Segredos da evolução
(01/01/2008)
Fonte: Agência FAPESP - 19/06/08

Nem peixe, nem verme, apesar de sua aparência lembrar um ou outro, dependendo de como se olha. O anfioxo é um animal marinho com menos de 5 centímetros, mas de importância inversamente proporcional ao tamanho. Pertencente a um grupo de cordados primitivos, trata-se de um organismo que tem interessado aos cientistas há mais de um século, por estar no meio da transição evolutiva entre invertebrados e vertebrados. Agora, o seqüenciamento do genoma do anfioxo acaba de ser publicado, o que pode trazer muitas respostas.

Os cientistas apontaram reorganizações que ocorreram na linhagem dos vertebrados desde que viveu o último antepassado comum entre eles e o anfioxo, há cerca de 550 milhões de anos. Também identificaram seqüências semelhantes que foram conservadas nos genomas do anfioxo atual e de vertebrados, apesar da longa evolução independente.

Criatura que passa a maior parte da vida enterrada no fundo do mar, o anfioxo foi descrito pela primeira vez em 1774, como uma espécie de lesma. Um século depois foi incluído corretamente no filo Chordata. Embora não tenha uma cabeça distingüível, o anfioxo tem seu corpo sustentado por uma notocorda, bastão dorsal flexível presente apenas nas fases embrionárias dos vertebrados, em que é substituído pela coluna vertebral.

Genes da juventude
(01/01/2008)
Fonte: BBC Brasil - 20/06/08

Cientistas americanos dizem ter encontrado uma “fórmula da juventude”. Um experimento realizado com ratos testou com sucesso a capacidade das células-tronco de restaurar o vigor do tecido muscular danificado. A pesquisa aumenta as esperanças de desenvolvimento de novos tratamentos para doenças degenerativas relacionadas à idade, como Mal de Parkinson e de Alzheimer.

Os pesquisadores conseguiram identificar as vias pelas quais as células-tronco adultas atuam e conseguiram modificar sua forma de reagir a sinais químicos do envelhecimento. Verificaram que o tecido muscular dos ratos mais jovens reparava as células danificadas com muito mais facilidade do que os mais velhos.

Para tentar melhorar a capacidade de rejuvenescimento dos mais velhos, os cientistas conseguiram bloquear a “via do envelhecimento”, interrompendo a produção de uma proteína. Em seguida, eles observaram que o nível de regeneração celular nos animais mais velhos foi semelhante ao dos mais jovens.

Verme brilhante
(10/07/2008)
Fonte: Agência Lusa - 10/06/2008

É muito comum em desenhos animados ou filmes infantis, alguém juntar em uma garrafa de vidro centenas de vaga-lumes, também conhecidos como pirilampos, para fazer uma lanterna. Isso é ficção, é claro, mas na vida real, uma cientista portuguesa foi além: está usando a luminescência desses insetos para "iluminar" outros organismos e assim detectar lesões genéticas.

A pesquisadora introduziu um gene do pirilampo em um verme que, por sua vez, passou a produzir luz própria à custa de suas reservas de energia, permitindo à cientista conhecer o seu metabolismo e detectar o efeito de alterações genéticas. Uma das linhas estudadas pela portuguesa é usar o verme como bio-sensor de poluição ambiental, uma vez que seu nível de luminosidade diminuiria (devido a redução da "energia" de suas células) quando o animal é exposto a poluentes.

Outra linha de investigação proposta é a aplicação deste bio-sensor em estudos de genética para tentar averiguar quais os genes do verme que desempenham um papel em termos de tolerância ao estresse ambiental.

Mosquito GM no combate à dengue
(18/06/2008)
Fonte: Valor Econômico - 12/06/2008

A dengue, que pode ser fatal e se tornou um dos maiores problemas de saúde pública no Brasil, infecta 50 milhões de pessoas no mundo a cada ano, estima a Organização Mundial de Saúde, e 2,5 bilhões estão sob risco.

Com tal preocupação em mente, a empresa Oxitec, que foi desmembrada da Universidade de Oxford em 2002 e ainda tem participação acionária da instituição, desenvolveu um exército de mosquitos geneticamente modificados que têm a missão de matar sua espécie. Em decorrência de uma modificação genética, todos os mosquitos machos nascem estéreis. Quando cruzam, sua prole herda o defeito e morre ainda em estágio larval. Se um número suficiente é solto, eles podem superar os machos normais na batalha por fêmeas e acabar dizimando a população. Um plano, ainda em estágio inicial, foi traçado para lançar os insetos a 10.000 quilômetros de distância, na Malásia. Autoridades andam desesperadas para controlar uma epidemia de dengue que, como a febre amarela, é transmitida pelo mosquito conhecido como Aedes aegypti.

Naquela que deve ser a primeira inserção de insetos geneticamente programados para matar outros insetos, cientistas podem soltar milhões deles para dizimar a população de Aedes aegypti e, esperam, acabar com as doenças que eles transmitem.

Como forma de controle de infestações, insetos machos já foram soltos muitas vezes antes. Os Estados Unidos usaram o método em 1966 para se livrar de uma mosca que come carne conhecida como mosca-bicheira. Em Zanzibar, machos estéreis eliminaram a mosca tsé-tsé nos anos 90. Em ambos os casos, os insetos foram esterilizados à moda antiga, com radiação. A técnica nunca funcionou bem em mosquitos ou pernilongos, embora uma recente experiência no Sudão tenha mostrado resultados promissores.

Na verdade, cientistas agora estão nos primeiros passos para construir uma fábrica de irradiação de mosquitos para criar 1 milhão de machos estéreis por dia. Bulir com a formação genética de um inseto é uma idéia mais radical. Pesquisadores na Índia e França criaram bichos-da-seda geneticamente modificados para defender contra um vírus que costuma matá-los. Há esforços similares para fazer mosquitos transgênicos que não transmitam malária. Nos EUA, cientistas irradiaram e soltaram milhões de lagartas-rosadas para controlar populações da praga do algodão.

No ano passado, o Departamento de Agricultura do país deu um passo além. Das 2,4 milhões de criaturas soltas no sul do Arizona, metade tinha uma alteração genética: uma peça extra de DNA que lhes dava marcas vermelhas fluorescentes pelo corpo, o que as tornava mais fáceis de identificar sob o microscópio. Criadas pela britânica Oxitec, as lagartas transgênicas "se comportam como as linhagens não transformadas", diz Greg Simmons, um entomologista do Departamento de Agricultura.



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